O que diria a Santíssima Virgem sobre São Domingos?

O que diria a Santíssima Virgem sobre
São Domingos?

pelo Pe. Tomás de Aquino Pickett, OP

O louvor da Bem-Aventurada Virgem Maria tende a exultar em suas virtudes relativas ao que os escolásticos classificam meticulosamente como os apetites concupiscíveis. Isso significa que comumente temos Maria como modelo das qualidades ligadas à virtude cardeal da temperança: a virtude que modera, guia e restringe nossa busca do prazer. No caso de Maria, as virtudes da castidade e da humildade aparecem em toda a sua glória.

No entanto, é muito raro pensar na Bem-Aventurada Virgem Maria como uma mestra dos apetites irascíveis. São os poderes da alma que nos ajudam a buscar bens difíceis de obter ou a evitar males difíceis de evitar. A principal virtude que orienta esse aspecto de nossas vidas é a fortaleza (vinda de “força” em latim). A fortaleza nos fortalece para ter ousadia na esperança e para evitar o desespero diante do medo. Temos poucos insights bíblicos sobre o estado emocional de Maria durante a fuga para o Egito, enquanto ela procurava o menino Jesus no Templo, como ela dava instruções durante as Bodas de Caná, quando ela estava ao pé da cruz, ou enquanto reunidos com os Apóstolos no cenáculo. Mas é duvidoso que uma pessoa sem a virtude da fortaleza, sem esperança e ousadia resoluta, sem domínio sobre o medo e o desespero, pudesse ter realizado o que Maria fez. Embora humildes, reconhecemos a força de Maria na Ladainha de Loretto como Virgo Potens, Virgem Poderosa.

O que Maria diria sobre São Domingos? Acho que ela veria nele uma alma gêmea. Ela reconheceria em São Domingos não apenas a temperança (a castidade de São Domingos é famosa), mas também veria um companheiro campeão da fortaleza. Tendo vivido um ano em Toulouse, França, onde São Domingos fundou a Ordem, fiquei impressionado com a ousadia de São Domingos. Imagine a dificuldade de tentar convencer um torcedor dos Yankees a apoiar o Red Sox; ou convencer alguém a mudar de partido político; ou incitar um vegano a comer um turducken. Estas são brincadeira de criança ao lado da dificuldade esmagadora, o perigo impressionante e os sacrifícios pessoais que São Domingos enfrentou ao tentar convencer os hereges cátaros a se tornarem católicos. E, no entanto, a ousadia em tentar realizar um bem difícil vem da virtude da fortaleza.

Se São Tomás de Aquino está certo de que “a semelhança é a causa do amor”, então penso que a Santíssima Virgem Maria veria São Domingos como um verdadeiro amigo. Não é de admirar, então, que tenhamos a piedosa tradição de que São Domingos recebeu o Rosário de Nossa Senhora. Nosso desafio, como devotos do Rosário, é imitar a fortaleza de Nossa Senhora e de São Domingos em viver vidas de esperança, dissipando as trevas do medo e do desespero pela luz da verdade.

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